Carnes frescas e diferentes há 25 anos em Resende

Apesar de ter nas carnes seu carro-chefe de vendas, estabelecimento também funciona como mercearia
Apesar de ter nas carnes seu carro-chefe de vendas, estabelecimento de Campos Elíseos também funciona como mercearia

Você é daqueles que apreciam uma boa carne de cordeiro? Ou então de rã ou de coelho? Saiba que não é necessário sair de Resende para realizar esse desejo. Há 25 anos, uma família resolveu investir no ramo de carnes que não costumam ser vendidas nos demais açougues e peixarias do município.

— Nossas carnes, ao contrário do que acontece nos outros açougues e nas chamadas boutiques de carne das grandes cidades, não é servida embalada nem desossada e sim de forma fresca para o consumidor. Costumamos recebê-la ainda com os ossos e aqui na loja desossamos a carne na hora de vender – explica a comerciante Adriane de Almeida Dias.

Da mesma forma que em outras lojas, o estabelecimento também trabalha com as carnes mais populares da cozinha brasileira, inclusive peixes, garantindo vendas praticamente o ano todo. E se destaca por um diferencial: vender carnes de cordeiro, rã, pato e coelho, consideradas exóticas. Mas a comerciante assume que esse tipo de venda costuma confundir os clientes.

Clientes costumam confundir carnes exóticas com carnes de caça
Clientes costumam confundir carnes exóticas com carnes de caça

— Já teve muita gente que veio aqui imaginando que aqui na casa também se vende carnes de cobra e até de paca, porque muitos entendem que entre as carnes exóticas também se incluem carnes de caça. Porém, não trabalhamos com essas carnes devido às dificuldades de registro (a mesma dificuldade também impede o grupo de trabalhar com carne de cabrito).

As vendas costumam aumentar durante as ocasiões de datas festivas para alguns tipos de carne, de acordo com a comerciante. “No Natal e Ano Novo, tem saído muito leitão assado, pernil e tender suíno, além das aves (peru e chester). Na Semana Santa, vendemos mais peixes (salmão, merluza, tilápia) e cordeiro (paleta, costela e pernil), e no Dia dos Pais, as carnes para churrasco (bovina, suína e até a de cordeiro)”, cita.

A loja não comercializa o produto apenas em ocasiões festivas. “Tem um morador de Volta Redonda que costuma comprar carne de rã aqui na loja por restrições alimentares. Mas o caso dela não é único, outros clientes também compram aqui por recomendação médica”.

As três lojas têm uma clientela que vai muito além dos moradores locais. “Tem muitos gringos que compram carne aqui com a gente, um americano residente em Resende esteve aqui há pouco tempo comprando carne bovina. Fora os franceses e orientais, já aconteceu de vir um grupo de chineses e fotografarem a máquina de assar frango (que costuma funcionar aos sábados, domingos e feriados), acredito que para eles seja algo diferente”, diz.

carne1A maior parte dos fornecedores de carnes vem de cidades dos estados do Rio e São Paulo, mas também há produtos importados. “Os produtores de rã que nos fornecem a carne são da cidade do Rio, mas também há fornecedores de Resende e região para outros tipos de carne. Já a carne de cordeiro (foto) vem do Uruguai”, completa.

TEMPOS DE CRISE
Adriane é um dos quatro filhos do antigo proprietário, Marcos Avelar Dias, que era conhecido como Pica-Pau. “Na ocasião, ele comprou a loja que temos no Manejo, e por esse motivo a nossa casa de carnes passou a ser chamada pelo apelido do meu pai”, diz a comerciante, que mantém as três lojas da família com uma irmã e outros dois irmãos.

O trabalho da família no ramo de açougue começou ainda com o avô de Adriane, e passou posteriormente para Pica-Pau e os filhos. Atualmente, além da loja no Manejo, a família ainda conta com outras duas casas de carnes nos bairros Paraíso (onde também funciona uma padaria e uma mercearia) e Campos Elíseos, que vem passando por mudanças. “A gente ampliou a nossa loja daqui, que também se transformará em uma mercearia”, adianta Adriane.

A estratégia é uma das formas da família driblar a crise econômica que vem afetando o Brasil nos últimos anos. “Agora está complicado trabalhar, antes pelo menos se a gente tinha um balanço positivo de vendas, sobrava alguma renda para a família. Mas hoje, tudo o que temos de lucro não é suficiente para a família, precisamos ter jogo de cintura e cortar gastos para manter o negócio, sempre aproveitando os dias melhores para venda. Infelizmente, tem muito estabelecimento indo a falência e fechando”, preocupa-se.

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