IFRJ debate tortura nesta quarta

torturaO Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) promove nesta quarta-feira, dia 4, a partir das 19h, o “1º Cine Clube Quilombo dos Puris: IFRJ Resende a favor da democracia”, com a exibição do documentário “Memória para Uso Diário”, da cineasta Beth Formaggini. O filme fala sobre o grupo “Tortura Nunca Mais” e sua busca incessante por informações sobre parentes e amigos desaparecidos durante a ditadura civil-militar brasileira. Após a exibição do filme, o microfone estará aberto para que as pessoas presentes se manifestem e deem sua opinião sobre a tortura e sobre o filme. O evento é gratuito.

– O evento surgiu de uma conversa na lista de emails do próprio instituto e partir da polêmica em torno da fala do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC), que enalteceu um coronel conhecido como torturador. A partir do efeito da fala dele nas redes sociais e a prática diária dele, partimos da premissa que é importante discutir o tema. É um debate atual e necessário. Grupos de todos os Campi do instituto vão fazer o debate após a exibição de um filme e 80% deles vão fazer nessa primeira semana de maio – explicou Rafael Brasil, coordenador de extensão do Campus de Resende.

O campus promove diversas atividades de extensão e elas são abertas a qualquer pessoa, sempre gratuitamente, para promover a integração com a comunidade. Por isso, o 1º Cine Clube será realizado de forma informal, para que as pessoas se sintam à vontade para expressar suas opiniões.

– A gente também desenvolve atividades de extensão no Campus para fazer uma comunicação efetiva com a comunidade externa. Vai ser uma roda de conversa, não uma palestra ou seminário. Vamos exibir o filme às 19h, pois temos a pretensão de começar na hora, e a partir do filme, que dura mais ou menos 80 minutos, o microfone vai estar aberto. Vamos estimular o debate para todos se manifestarem livremente – acrescentou.

Rafael Brasil, que também é professor de História, disse não temer que o evento seja confundido com uma ação político-partidária por ser sediada em uma entidade federal, e ressaltou que é preciso debater o tema porque ele está no cotidiano das pessoas.

– Embora envolva questões emocionais, porque há torturados e torturadores vivos até hoje e seus parentes em três gerações, não há nenhuma direção partidária ou de levantar bandeira contra ou a favor. Será debatido porque está em nosso cotidiano e precisa ser debatido por pessoas que vivenciaram o período ou não e dificilmente alguém presente irá perceber algum direcionamento partidário. Mas sobre ser uma ação política, não dá para ser politicamente isento em Educação – avaliou.

Para que vários posicionamentos sobre a tortura sejam levantados é que a equipe do IFRJ tem divulgado o tema e esperam que o público seja diversificado.

– Nossa ideia é que o debate seja plural, que mesmo os que defendem a tortura como método de extração de informações estejam presentes para poderem defender seus pontos de vista. Nosso objetivo é que as pessoas vejam a escola como espaço de livre pensamento. Que todos expressem seus posicionamentos políticos para fortalecer essa ideia de que a escola é um espaço para debater livremente. Até porque, a escola que não é plural é perigosa – concluiu.

O Cineclube será realizado na sede do IFRJ Resende, na Rua Prefeito Botafogo, no antigo Gssan, a partir das 19, no dia 4. Esta, como todas as outras atividades oferecidas pelo IFRJ Resende, são gratuitas.

 

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