Quem desistiu da colher de pau?

A colher de pau é proibida em estabelecimento comerciais de alimentação, como bares e restaurantes, desde 2004. A proibição foi determinada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).Apesar da proibição em ambientes profissionais, a colher de pau pode ser usada em casa, desde que esteja bem conservada e limpa. É comum o assunto voltar à mídia e às principais rodas de conversa de tempos em tempos, assim como por nutricionistas e marcas que vendem colheres de metal e silicone.

A colher de pau faz parte de uma cultura e tradições milenares. Há registros de mais de 20 mil anos, obviamente uma tentativa com galhos e conchas, mas os registros arqueólogicos de uma era antes de Cristo já mostram a colher de pau como utensílio doméstico. As bruxas sempre tiveram a colher de pau como um instrumento mágico representando movimento e força da natureza. A defesa da colher de pau se dá pela firmeza e por ela não arranhar panelas, mas sua proibição também tem coerência.
A madeira é porosa e absorve gordura e restos de alimentos, o que dificulta a limpeza e pode levar à contaminação cruzada, ou seja, contaminar alimentos livres de bactérias. É um material orgânico que pode apodrecer com o tempo, soltando pequenos fragmentos que podem ser ingeridos e causar lesões no organismo. E alguns especialistas afirmam que a estrutura da madeira impede a higienização completa e favorece a formação de colônias de bactérias que resistem à remoção e podem prejudicar a saúde. 
Para Maria Cláudia da Silva, professora de Nutrição do Centro Universitário de Brasília (CEUB), essa colher deve ser evitada também no ambiente doméstico pelo potencial de contaminação por bactérias e fungos: “Essas colônias são perigosas porque facilitam a contaminação cruzada, um processo em que microrganismos presentes em uma superfície contaminam alimentos que, até então, estavam livres de qualquer risco. Essa transferência pode ocorrer por meio do contato direto com as colheres ou com as mãos e superfícies onde os utensílios foram apoiados. Por isso, normas sanitárias que regem o funcionamento de cozinhas industriais e restaurantes proíbem expressamente o uso de utensílios de madeira durante o preparo de refeições.
Na hora de escolher os objetos de cozinha, a recomendação da nutricionista é dar preferência a colheres de metal ou plástico devidamente apropriadas para uso culinário. “Esses materiais são menos porosos e, por isso, mais eficazes na hora da desinfecção”, explica a professora que lembra das duas etapas necessárias: limpeza e desinfecção. Quanto ao desgaste destes utensílios, a professora alerta que sempre que a colher apresentar rachaduras, partes soltas ou manchas de mofo, é hora de descartar.
Foto: Educação Escola

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