Mas não me faltou a crônica

Esse ano inteiro se passou como se passaram outros tantos. Cada qual com suas fortunas e penúrias. Mas em todos eles não me faltou a crônica. E olhem que me faltaram outras tantas coisas. Umas que me arrancaram o sono, mesmo em noite fria. Outras que apenas me renderam um muxoxo de breve descontentamento. Em todo caso, faltasse o que faltasse, jamais me faltou a crônica.

Eu voltei para casa em noites chuvosas; jardinei o quintal em dias calorentos; mudei de endereço no prazo de um fim de semana e até mesmo passei dias sem internet. No entanto, ainda assim, não me faltou a crônica. Hoje eu penso nisso e canto que pode me faltar um caminhão de coisas (e elas ainda me faltarão por tempo e caminhões indeterminados) só não quero que falte a danada da crônica.

E agora que eu tenho mais um ano inteiro, desejo a mim mesmo muita crônica.  Uma crônica nova a cada dia. Uma crônica que não envelheça com o depois de cada dia. Quero a crônica que dure o ineditismo de cada leitor avisado ou não. Uma crônica que faça lembrar do feijão; que avise sobre o amor; que não deixe o padeiro queimar o pão. Quero uma crônica de cada dia, cotidiana e cheia de vida.

Nesses dias em que todos estão fazendo votos de felicidades, desejando prosperidade e força para toda sorte de recomeço, eu também vou recomeçar. E tomara que, como no ano passado, não me falte uma só linha de crônica.

Rafael Alvarenga
Escritor e professor de Filosofia
ninhodeletras.blogspot.com.br

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