Sindicato solicitou esclarecimentos à empresa. CSN informou que vai apurar as condições de limpeza e negou exigir chegada antecipada
A redação do jornal BEIRA-RIO foi procurada por trabalhadores que alegam ter dificuldades para acessar vestiários e banheiros, há algumas semanas, na CSN Porto Real (Galvasud), localizada no município de Porto Real, o que pode caracterizar constrangimento e assédio moral. Os metalúrgicos também falaram da falta de limpeza dos banheiros no finais de semana. Alguns trabalhadores também chamaram atenção para o horário do transporte que poderia chegar mais perto da hora de entrada, mas chegam com meia hora antes do expediente para trocar de roupa e tomar café.
— Não são poucas as vezes que o motorista do ônibus vem bem devagar, por que ele não pode chegar, 6h25, porque se a gente bate ponto 6h29, eles têm que pagar meia hora extra. Então a gente bate ponto a partir de 6h31, comenta um trabalhador que pediu para manter seu nome em sigilo. Ele afirma que a diferença de tempo faz falta na rotina familiar. “Qualquer dez minutos em casa com a família faz muita diferença”, acrescenta.
— Aqui tem mulheres e PCDs também e temos que ficar pedindo para abrir o vestiário e nem sempre é na hora que precisamos, uma vez que temos que aguardar o supervisor ou outro responsável. Pior que não podemos falar nada, sabe como é, tememos retaliação, mas isso é abuso, não é? – questiona o metalúrgico que pediu para não ser identificado.
Segundo o Tribunal Superior do Trabalho, impedir os trabalhadores de acessar vestiários e banheiros é classificado juridicamente como abuso do poder diretivo do empregador e gera dano moral presumido por violar frontalmente o princípio da dignidade da pessoa humana. Segundo os próprios trablhadores, a empresa alega que alguns “ficam enrolando no vestiário”: “Poxa, enrolando? Um maior calor, às vezes a gente precisa molhar o rosto a cabeça para continuar”, diz outro trabalhador que também pediu para não ser identificado.
O BEIRA-RIO entrou em contato com o Sindicato dos Metalúrgicos de Itatiaia e Porto Real (Sindireal), para saber se os representantes dos trabalhadores tinham conhecimento das denúncias. O diretor Bruno Streva afirmou que desconhecia que houvesse uma denúncia no sindicato e que a apuração seria imediata. Em nota, afirmou:
“O Sindicato esclarece que tomou conhecimento das denúncias envolvendo as condições dos vestiários e sanitários da CSN Porto Real, bem como a suposta exigência de chegada antecipada dos trabalhadores sem a devida remuneração, somente após o contato realizado por esta jornalista.
Assim que recebemos as informações, adotamos prontamente as providências cabíveis, encaminhando à empresa o Ofício nº 57/2026, solicitando esclarecimentos, apuração dos fatos e medidas para corrigir eventuais irregularidades.
Reforçamos que o SINDIREAL não compactua com qualquer prática que comprometa a dignidade, a saúde, a segurança ou os direitos dos trabalhadores.
Neste momento, aguardamos o posicionamento oficial da empresa e seguiremos acompanhando a situação, adotando as medidas necessárias conforme os esclarecimentos apresentados.”
No ofício assinado pelo presidente do Sindireal, Edmilson José Alvarenga, foi dado prazo de cinco dias úteis para a empresa apresentar esclarecimentos. “O SINDIREAL reafirma que o respeito à dignidade humana, à saúde, à acessibilidade e aos direitos
trabalhistas deve prevalecer em qualquer ambiente industrial. O acesso ao banheiro é uma necessidade básica e não pode ser tratado como privilégio ou instrumento de controle dos trabalhadores. Esperamos que a empresa trate as denúncias com a devida seriedade e urgência, evitando a necessidade de encaminhamento dos fatos aos órgãos competentes, especialmente ao Ministério
do Trabalho e Emprego e ao Ministério Público do Trabalho, caso sejam constatadas irregularidades sem a devida correção” – alerta o ofício.
O jornal BEIRA-RIO também solicitou uma posição da CSN Porto Real. E apesar de contato telefônico com a assessoria de imprensa, até o fechamento desta matéria não houve manifestação formal da empresa. No contato, só foi informado que o vestiário passou por reformas e que vão apurar as condições de limpeza dos banheiros nos finais de semana. Quanto a meia hora antecipada, foi informado que não há exigência e que a situação está dentro das normas aplicáveis aos trabalhadores que utilizam o transporte fornecido pela fábrica.


