Janeiro Seco até dia 31!

O Ministério da Saúde passou a incentivar oficialmente o “Janeiro Seco”, campanha que propõe a suspensão do consumo de bebidas alcoólicas durante os 31 dias do mês de janeiro. A iniciativa foi divulgada nas redes sociais da pasta como um convite para que a população repense seus hábitos de consumo após o período de festas de fim de ano, marcado por maior ingestão de álcool e alimentos ultracalóricos.

A campanha se soma a uma estratégia mais ampla de promoção da saúde e prevenção de doenças associadas ao consumo de álcool. O ministério destaca que o desafio não tem caráter punitivo, mas funciona como um instrumento de reflexão individual sobre quando, como e por que se consome bebida alcoólica no cotidiano.

A proposta do Janeiro Seco surgiu fora do Brasil. Em 2008, o norte-americano Frank Posillico decidiu passar o mês de janeiro sem consumir álcool, após os excessos do fim de ano. A experiência ganhou adesão entre amigos e acabou se espalhando informalmente.

Já no Reino Unido, a iniciativa ganhou maior projeção a partir de 2011, quando a corredora Emily Robinson adotou a abstinência temporária como preparação física e repetiu o desafio no ano seguinte.

A origem internacional do Janeiro Seco

Em 2013, Robinson se associou à organização Alcohol Change UK, que batizou oficialmente a campanha de Dry January. Desde 2015, a ação integra o calendário do sistema público de saúde britânico. A organização mantém um site e um aplicativo que auxiliam participantes de diferentes países a registrar o desafio e acompanhar os 31 dias sem álcool.

No Brasil, o Ministério da Saúde adaptou a proposta ao contexto nacional e passou a estimular a adesão ao Janeiro Seco como forma de conscientização. A campanha é voltada principalmente a pessoas que desejam reavaliar sua relação com o álcool ou reduzir o consumo após o período de festas. Para casos de dependência alcoólica severa, a orientação é buscar acompanhamento médico, já que a interrupção abrupta pode provocar sintomas de abstinência.

Em entrevista à Agência Brasil, a psiquiatra Alessandra Diehl, integrante do conselho consultivo da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abad), afirmou que o consumo de álcool está associado a riscos tanto para a saúde física quanto para a saúde mental, além de impactos negativos nas relações sociais. Segundo ela, documentos recentes ratificados pela Organização Mundial da Saúde reforçam que não existe quantidade segura de consumo, já que qualquer dose pode trazer prejuízos.

Brasil: adolescentes estão bebendo mais

Dados do 3º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III), divulgados em setembro de 2025 pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mostram mudanças relevantes no padrão de consumo no país. Enquanto a proporção de adultos que consomem álcool apresentou queda em relação a levantamentos anteriores, o consumo entre adolescentes aumentou.

Segundo a pesquisa, 56% da população brasileira teve o primeiro contato com bebidas alcoólicas antes da idade legal, e 25,5% passaram a consumir regularmente ainda nessa fase da vida. Entre adolescentes, houve redução na proporção dos que relataram a ingestão de cinco doses ou mais em uma única ocasião, padrão conhecido como binge drinking, que caiu de 44% em 2006 para 23,7% em 2023. Em contrapartida, o consumo pesado, definido como ingestão de 60 gramas ou mais de álcool em uma única ocasião, cresceu entre menores de idade, passando de 28,8% para 34,4% no mesmo período.

No recorte por sexo, as adolescentes apresentaram consumo superior em todas as categorias analisadas. Do total, 29,5% das meninas relataram já ter experimentado álcool, frente a 25,8% dos meninos. O consumo no último ano foi informado por 21,6% das adolescentes, contra 16,8% dos adolescentes do sexo masculino.

Entre adultos, 61,2% declararam já ter consumido álcool alguma vez na vida, e 42,5% afirmaram ter ingerido bebidas alcoólicas no último ano. Em comparação com 2012, quando esse índice era de 47,7%, houve redução na prevalência do consumo entre adultos. A cerveja segue como a bebida mais consumida no país, concentrando 73,5% das preferências.

O levantamento ouviu 16.608 pessoas com 14 anos ou mais, em todas as regiões do Brasil. A maior prevalência de consumo de risco foi registrada no Centro-Oeste, com 16,3%, seguida pelas regiões Nordeste, Sudeste, Norte e Sul.

Consumo de álcool no mundo

Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que a Europa concentra os maiores níveis de consumo de álcool no mundo. De acordo com o Relatório Europeu de Saúde de 2021, o consumo médio anual entre pessoas com 15 anos ou mais é de 9,5 litros de álcool puro, o que equivale a cerca de 190 litros de cerveja, 80 litros de vinho ou 24 litros de bebidas destiladas.

O relatório aponta que nove dos dez países com maior consumo global, ajustado pelo turismo, estão localizados na União Europeia. Os homens apresentam taxas mais elevadas de consumo diário e semanal em comparação às mulheres, e a frequência tende a aumentar com a idade.

Entre jovens de 15 a 24 anos, apenas 1% consome álcool diariamente, enquanto entre pessoas com 75 anos ou mais esse percentual chega a 16%. Ao mesmo tempo, esse grupo etário também concentra a maior proporção de abstêmios ou pessoas que não beberam nos últimos 12 meses.

A mensagem central da campanha do Ministério da Saúde sintetiza o objetivo da iniciativa: não é necessário beber para acompanhar um padrão social amplamente difundido.

Fonte: Agência Brasil

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