No Dia de Hoje – 15 de maio

Nos últimos anos, Cauby costumava se apresentar no Bar Brahma, em São Paulo, com casa lotada (Foto: Nancy Lara/Divulgação)

No dia 15 de maio de 2016, o Brasil perdia um de seus maiores talentos da música. Morria em São Paulo o cantor Cauby Peixoto. Nascido em Niterói no dia 10 de fevereiro de 1931, era considerado um dos maiores e mais versáteis intérpretes da música brasileira.

Iniciou sua carreira artística no final da década de 1940. Ainda pequeno, quando estudava em um Colégio de Padres Salesianos em Niterói, chegou a cantar no coro da escola e também no coro da igreja que frequentava. Também trabalhou em um comércio até resolver participar de programas de calouros no rádio, no final da década de 40, no Rio de Janeiro.

Sua voz era caracterizada pelo timbre grave e aveludado, mas principalmente pelo estilo próprio de cantar e interpretar, além da extravagância e penteados excêntricos. Proveniente de uma família de músicos, o pai (conhecido como Cadete) tocava violão, a mãe bandolim, os irmãos eram instrumentistas, as irmãs cantoras e o tio pianista. Sobrinho do músico Nonô, pianista que popularizou o samba naquele instrumento, Cauby também era primo do cantor Ciro Monteiro.

Cauby gravou seu primeiro álbum em 1951, pela Carnaval, que continha “Saia Branca” e “Ai, que Carestia”. Na época, teve pouca repercussão. Gravou ainda, já no ano seguinte, “Blue Guitar”, um dueto com Leny Eversong. No ano seguinte, veio “O Teu Beijo” e “Tudo Lembra Você”.

Em 1952, por intermédio de seu irmão Moacyr, conheceu Di Veras, empresário conhecido por suas estratégias de marketing. Ele o levou a São Paulo, especificamente à rua da Rádio Nacional. Di Veras começou a trabalhar na estética e na imagem pública de Cauby, exigindo que ele se vestisse bem, pois por ser de família humilde não era acostumado, mas perante os cantores da época, era uma obrigação ser elegante. As mudanças no seu visual se tornaria uma constante.

Em 1955 lançou seu primeiro sucesso no Brasil, o “Blue Gardênia”, em uma versão que trouxe dos Estados Unidos em português. Na época, era um sucesso na voz de Nat King Cole, seu ídolo. Di Veras trabalhou com Cauby até 1958, quando ele atingiu o quinto lugar nos álbuns mais tocados nos EUA.

Cauby foi convidado para uma excursão aos EUA pelo cardeal Francis Spellman em 1955. Durante a viagem no navio, cantou músicas religiosas. Já nos EUA, obrigado a adotar o nome artístico de Ron Coby, gravou alguns LP’s com a orquestra de Paul Weston, cantando em inglês. Nessa excursão, ele também se apresentou em vários locais, incluindo programas de televisão, e fez testes para filmes. Foi elogiado por muitos cantores daquele país. Mais uma vez, a influência de Di Veras fez com que sua viagem aos Estados Unidos não passasse despercebida na imprensa brasileira.

Entre 1955 e 1958, ficou indo e voltando dos Estados Unidos. Antes de uma dessas viagens, realizada de navio, fãs desmaiaram, choraram e tentaram invadir o navio para que o cantor não deixasse o país. Enquanto esteve fora, Cauby lançou sete discos 78 rpm e dois LPs. No fim das contas, Cauby não conseguiu estourar no país norte-americano e acabou voltando ao Brasil para lá dar prosseguimento à sua carreira.

Cauby apresentou-se durante os últimos 15 anos de sua vida, nas noites de segunda-feira, no Bar Brahma, no centro da cidade de São Paulo, sempre com a casa lotada. Já com dificuldade de locomoção, seus últimos shows foram apresentados com o artista sentado durante todo o tempo em que durava o espetáculo. Um ano depois de sua morte, o Bar Brahma o homenageou com o projeto Tributo Cauby, uma exposição que durou mais de um mês, com painéis de imagens e objetos sobre a vida e carreira de Cauby, além de shows e apresentações cujos temas eram sobre o artista.

Em 2012, foi homenageado no carnaval pela escola de samba Águia de Ouro, onde desfilou em um carro alegórico, vestido de rei da MPB. Em 28 de maio de 2015, um documentário sobre sua vida e carreira foi lançado no Brasil, (Cauby – Começaria tudo outra vez) de Nelson Hoineff. Em 2016, ano de sua morte, o jornalista, crítico e produtor musical Nelson Motta o classificou como o único cantor tecnicamente perfeito do Brasil.

Cauby Peixoto morreu na noite de 15 de maio de 2016, aos 85 anos, em São Paulo, por volta das 23h50. Ele estava internado para tratar de uma pneumonia, desde o dia 9 de maio no Hospital Sancta Maggiore, no Itaim Bibi, na Zona Sul de São Paulo.

Fonte: Wikipédia

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