No Dia de Hoje – 10 de novembro

Primeira edição da revista

No dia 10 de novembro de 1928 foi lançada no Rio de Janeiro a revista semanal O Cruzeiro, editada pelos Diários Associados, de Assis Chateaubriand. A primeira edição foi impressa na Argentina, onde tinham equipamentos mais modernos como a rotogravura capaz de variar o tamanho das fotografias e imprimi-las ao mesmo tempo que o texto. As outras revistas no Brasil, na época, usavam chapa que não dava as oportunidades de impressão da anterior. O Cruzeiro foi a primeira revista de circulação nacional do Brasil e era financiada principalmente por publicidade, apesar de possuir a possibilidade de assinatura pelos leitores.

O intuito era criar uma revista moderna inspirada na revista norte-americana Life com conteúdo variado (como contos, crônicas, moda, esporte, cinema, charges, caricaturas, história, cobertura internacional, publicidade) e um layout diferente com muitas ilustrações e fotografias. A revista deixou claro em seu primeiro editorial que se diferenciava de suas “irmãs mais velhas que nasceram das demolições do Rio Colonial”, colocando-se na vanguarda da modernidade aliando seu nome a tecnologias modernas: “Cruzeiro encontrará ao nascer o arranha-céu, a radiotelefonia e o correio aéreo”.

As edições da O Cruzeiro tinham normalmente 48 páginas. A partir dos anos 1930, a revista passou a ter entre 56 e 64 páginas sendo quase metade rotogravura. Nesta época, um exemplar custava 2 mil réis. A publicação foi a primeira a contratar jornalistas, que puderam exercer a função em tempo integral sem precisar de outros trabalhos, e acabar com o “mito” de que a profissão era apenas um ‘bico”.

Carlos Malheiro Dias foi seu diretor no período de 1928 a 1933, sendo sucedido por Antonio Accioly Neto e depois por José Amádio que, em 1960 imprimiu um novo design editorial que ficou conhecido como “bossa nova”. A revista estabeleceu uma nova linguagem na imprensa brasileira: inovações gráficas, publicação de grandes reportagens, ênfase ao fotojornalismo. Fortaleceu a parceria com as duplas repórter-fotógrafo, a mais famosa sendo formada por David Nasser e Jean Manzon que, nos anos 1940 e 1950, fizeram reportagens de grande repercussão.

Celebridades como Hebe Camargo e Pelé foram destaques de capa da revista, pioneira na impressão no país

Uma dessas reportagens – de Mario de Moraes e Ubiratan de Lemos intitulada Uma tragédia brasileira – os paus-de-arara – foi publicada no dia 22 de outubro de 1955, e foi o primeiro trabalho jornalístico homenageado pelo prêmio Esso de jornalismo. A dupla de jornalistas se aventurou durante 11 dias em caminhão de oito toneladas com mais 104 nordestinos que vinham em buscar de emprego no Sudeste e Sul. A reportagem se tornou uma denúncia das condições subumanas e da exploração que esses nordestinos sofriam durante seu trajeto. A história publicada culminou na proibição dos paus-de-arara.

A decadência começou com a brusca queda na venda de exemplares, que passou de 710 mil cópias para 400 mil durante toda a década de 1960, com o surgimento de novas publicações, como as revistas Manchete e Fatos & Fotos, o fortalecimento da televisão e o controle da mídia impressa pelas editoras Abril e Bloch. Ainda, a ida para o exterior de Chateaubriand, que se tornou embaixador na Inglaterra, proporcionou vários problemas dentro da revista, que foi publicada pela última vez em 1975.

Fotos: Reprodução

Fonte: Wikipédia

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