Merendeiras fazem greve e empresa deve R$ 780 em vale alimentação

Pais e responsáveis por alunos de creches tiveram que retornar para a casa com os filhos por falta de merendeiras (Fotos: Reprodução/Redes Sociais)

Nesta terça-feira, dia 19, o expediente nas creches de Resende já voltou ao normal, um dia após os pais e responsáveis pelos alunos serem obrigados a levar as crianças de volta para casa. Eles foram surpreendidos ao encontrarem as portas fechadas.

O fato foi destacado em uma postagem do grupo Bom Dia Resende, onde uma das mães chegou a relatar o ocorrido. “No CMEI Parque das Águas tive que voltar com minha filha agora cedo. Aí eu tenho que me virar, com quem vou deixar minha filha pra ir trabalhar?”, questionou a mãe.

Segundo a postagem do Bom Dia, as creches estariam fechadas porque as cozinheiras e merendeiras contratadas pela empresa terceirizada do setor de nutrição escolar, a Nutriplus, estão em greve. Ainda de acordo com a publicação, elas reclamavam do atraso do pagamento, que não vinham recebendo há algum tempo, e por causa dos quatro meses que não recebem o vale alimentação, sendo que somente em relação a esse benefício, a empresa estaria devendo a cada uma delas um total de R$ 780. 
Para entender o que vem acontecendo com a remuneração dessas funcionárias, o jornal BEIRA-RIO entrevistou uma delas, que pediu para não ser identificada. Segundo ela, o atraso nos pagamentos vai muito além do vale alimentação.
– Nosso salário vem sendo pago com atraso desde outubro de 2019. Ele era pago sempre no quinto dia útil, mas como se pode ver, hoje já e dia 18 e nada de pagamento. Férias, desde junho de 2018 não recebemos, FGTS desde julho de 2020, vale transporte foi sempre atrasado. E temos que nos virar pra ir trabalhar, já o vale alimentação estamos vencendo quatro meses sem receber também, dando um total de R$ 780 – confirma a funcionária.

Ela conta que atualmente, sem os pagamentos, está vivendo de doações de alimento de familiares, mas que suas contas, entre elas as de luz e água, estão todas atrasadas. A funcionária ainda diz que até o décimo-terceiro salário, que seria referente a três meses só, foi parcelado e só teve a primeira parcela paga parcela no começo do ano.

Até o momento, empresa segue devendo R$ 780 em vale alimentação para cada funcionária

A merendeira lamenta que, mesmo reclamando da situação, não costumam ter uma resposta convincente da Nutriplus. “Temos um grupo da empresa onde reclamamos, e eles nunca respondem. E quando responde, a resposta é sempre a mesma: ‘não temos previsão de pagamento’. A falta de respeito com a gente e muito grande, somos ignoradas sempre. Não nós falam nada, não há previsão de pagamento de vale-alimentação, de nada…”.

Ela aproveita para desabafar sobre a situação dela e das demais colegas. “Todas estão na mesma situação. Estamos revoltadas, humilhadas, tristes, pois fazemos nosso trabalho com tanto carinho e dedicação e estamos nessa situação e que já faz tempo. Hoje (segunda-feira) essa paralisação foi um pedido de socorro pois temos família em casa que depende de nós e do nosso salário. O poder público virou as costas pra gente, temos reclamado dessa situação há muito tempo. Estamos passando necessidade dentro de casa, só queremos que tenha uma solução pra gente e pro nosso direito, que estamos pedindo”, completa.

Nesta terça-feira o jornal entrou novamente em contato com a funcionária, que confirmou o retorno das merendeiras da creche ao trabalho. Segundo ela, a empresa fez o pagamento do salário, equivalente ao mês de setembro, mas seguem sem receber o vale alimentação. O BEIRA-RIO entrou em contato com a Prefeitura de Resende e a empresa Nutriplus, responsável pelo pagamento das merendeiras e cozinheiras, pra se pronunciarem sobre o assunto, mas não obteve resposta.

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