Variante Delta se destaca em momento que RJ vê índices de Covid-19 cair

Os boletins, tanto do Mapa de Risco Covid-19, da Secretaria de Estado de Saúde do estado do Rio de Janeiro (SES-RJ), quanto da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), registram queda nos índices de casos, internações e mortes. O último levantamento da SES, divulgado nesta sexta-feira, dia 16, manteve o estado na bandeira amarela, se estendendo tanto para a região do Médio Paraíba quanto pra Resende.

A análise compara a semana epidemiológica 26 (27 de junho a 03 de julho) com a 24 (13 a 19 de junho) de 2021, apontando que o estado do Rio de Janeiro apresentou uma redução de 28% no número de óbitos, e as internações por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) caíram 26% na comparação entre as semanas epidemiológicas analisadas. As taxas de ocupação de leitos no estado registrados na sexta-feira era de 60% para leitos de UTI e 37% para leitos de enfermaria.

Segundo a SES, os resultados apurados para os indicadores apresentados “devem auxiliar a tomada de decisão, além de informar a necessidade de adoção de medidas restritivas, conforme o nível de risco de cada região”.

A queda nos índices também é retratada no boletim da Fiocruz, publicada na última quarta-feira, dia 14, destacando que, pela primeira vez desde o início de dezembro de 2020, assim como o Rio de Janeiro, nenhum outro estado apresenta taxa de ocupação de leitos de UTI destinadas a Covid-19 para adultos no SUS superior a 90%. Tendência de queda nos indicadores de incidência e mortalidade por Covid-19 mantida pela terceira vez consecutiva na última Semana Epidemiológica (SE 27), de 4 a 10 de julho.

A capital fluminense registrou 81% de ocupação nas UTIs, e o estado apresentou 57% de ocupação, este último um índice considerado “fora da zona de alerta”. Ainda assim, mesmo com o número de casos e de óbitos estar caindo há três semanas em cerca de 2% ao dia, ainda permanece em alto patamar. Já a taxa de letalidade foi mantida em torno de 3%, percentual considerado elevado.

Os índices animadores citados acima convivem nos últimos dias com uma notícia preocupante: o aumento no número de casos da variante Delta da Covid-19, originária da Índia e que já se encontra presente em mais de 100 países. No último final de semana, foi noticiado pela Agência Brasil que somente no estado do Rio de Janeiro foram registrados 74 casos em 12 municípios, entre eles Rio de Janeiro, Niterói, Duque de Caxias e Seropédica.

O primeiro caso foi relatado em um morador do município de Campos dos Goytacazes, em maio deste ano, que retornava de uma viagem ao país de origem da Delta. No país, o primeiro registro aconteceu no estado do Maranhão, em tripulantes de um navio procedente também da Índia.

A variante vem se tornando dominante no mundo, e já atinge países da Ásia e da Europa, onde houve um recente aumento de casos. Segundo os especialistas, a Delta é considerada de transmissibilidade 40% mais alta do que a cepa original do coronavírus e o risco de internações é comparável ao da variante Alfa, de origem britânica, também mais transmissível do que a cepa original.

REPORTAGEM JÁ ALERTA PRA FUTURO AUMENTO DE CASOS
Em junho deste ano, outra matéria publicada pelo jornal BEIRA-RIO mostrou a preocupação de especialistas com a tendência de aumento nos casos de Covid-19, no que pode estar se configurando para uma “terceira onda”, onde epidemiologistas e cientistas de dados alertaram “para um novo agravamento da pandemia na maioria dos Estados e regiões do país”.

Os mesmos apontaram diversos fatores, especialmente o relaxamento das medidas restritivas, que permitiu o retorno de atividades sociais e comerciais e o consequente aumento da circulação de pessoas pelas ruas, para que esse risco seja real, fora o inverno, que facilita a propagação do vírus e o ritmo da vacinação, que somente agora começou a ficar mais rápido com o aumento de brasileiros que tomaram ao menos a primeira dose da vacina.

Eles não descartaram a possibilidade desse aumento ser atrelado a chegada de novas variantes da Covid-19, entre elas a Delta. Tanto que vários estados autorizaram a diminuição no intervalo entre a aplicação de doses de algumas vacinas em uso no Brasil. No Rio de Janeiro, o governo anunciou que autorizou essa diminuição de 12 para oito semanas para imunizantes da Astrazeneca, produzidas no país pela Fiocruz, pelas prefeituras fluminenses.

Foto: Handout

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