CTR pode ser multada por mortandade de peixes em Barra Mansa

Agentes ambientais estiveram na área do Córrego Carioca para apurar mortandade de peixes nas proximidades de aterro

A Central de Tratamento de Resíduos de Barra Mansa (CTR), considerada referência na região em destinação de resíduos sólidos, sendo por esse motivo escolhida pela Prefeitura de Resende para enviar o lixo produzido no município, virou alvo de fiscalização ambiental. É que no último dia 1º (segunda-feira) vários peixes foram encontrados mortos boiando no rio Bocaina, afluente do Paraíba do Sul que banha a região onde o aterro sanitário se localiza, em Barra Mansa.

Segundo informações da assessoria da Prefeitura de Barra Mansa, os agentes da Fiscalização Ambiental de Barra Mansa coletaram na tarde do dia 1º, e na manhã do dia seguinte (terça-feira, dia 2), amostras de água do Córrego Carioca, localizado no Km 6 da estrada Barra Mansa – Bananal, com a finalidade de investigar a mortandade de peixes registrada no Rio Bocaína. As amostras foram enviadas para análise e o resultado deverá sair entre sexta-feira, dia 5, e segunda-feira, dia 8.

A denúncia foi comunicada junto à Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, uma vez que os peixes apareceram mortos no Rio Bocaina, que corta o bairro Siderlândia.

– Eles (os agentes) percorreram o Rio Bocaina e o Córrego Carioca e constataram que somente após a Central de Tratamento de Resíduos as águas estão turvas, apresentam cheiro forte e os peixes mortos. Diante deste fato, procederam com a investigação e encontraram um ponto de vazamento de chorume, na estação da Central de Tratamento de Resíduos. No local, os dejetos estavam sendo despejados na rede de drenagem de águas pluviais – relatou o secretário da Pasta, Vinícius Azevedo.

A secretaria também informou em nota que a CTR foi comunicado sobre o problema, e que a Pasta “está procedendo com a lavratura do auto de infração, que implica em multa e reparos dos danos ambientais provocados no Córrego Carioca e Rio Bocaina”, o que acontecerá após o resultado das análises.

Esta não é a primeira vez que a CTR tem problemas com o poder público ou com a população em Barra Mansa. No ano de 2018, a empresa responsável pelo aterro sanitário do município há oito anos, a Foxx Haztec, teve rejeitado após audiência pública entre poder público e moradores um pedido para a construção de mais um aterro, voltado ao tratamento de resíduos sólidos Classe I, considerados perigosos ao meio ambiente e à saúde. Um mês mais tarde, o Legislativo local sancionou uma lei que proibiu em definitivo a construção do novo aterro.

Chorume que provocou morte de peixes teve armazenamento questionado pelo poder público em Barra Mansa durante audiência em 2018

Em nota ao jornal BEIRA-RIO, o Inea informou que foi realizada nesta terça-feira, dia 2, uma vistoria nas dependências da Central de Tratamento de Resíduos (CTR) de Barra Mansa, incluindo lagoas e Estação de Tratamento de Chorume. Além disso, a equipe também solicitou à empresa os relatórios operacionais, a fim de checar possíveis inadequações.

A nota ainda cita que durante a vistoria, os técnicos realizaram coleta de amostras de água na saída da Estação de Tratamento de Chorume e nas dependências da CTR, sendo as mesmas enviadas para análise em laboratório. A partir dos dados obtidos, os técnicos irão analisar o que pode ter ocasionado a mortandade de peixes. Caso sejam constatadas irregularidades, o Inea adotará as medidas cabíveis como multa e até interdição.

Já a empresa responsável pela CTR informou que “não há qualquer vazamento de chorume e que a mortandade de peixes não tem qualquer relação com a operação do aterro sanitário, que fica a oito quilômetros de distância do local”. Ainda assim, uma consultoria externa foi contratada para realizar novos testes de monitoramento ambiental das águas subterrâneas e superficiais, em pontos dos rios Cariocas e Bocaina. A previsão é de que os resultados saiam em até 15 dias.

A Central ainda cita que há um “acompanhamento permanente dos recursos hídricos e do solo, avaliando fatores químicos, físicos e biológicos, e não há nenhuma alteração no entorno”. E que todas as análises são enviadas periodicamente ao Inea.

Fotos: Divulgação/PMBM e Arquivo

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