Resende 219 anos e muita história no seu entorno!

Você sabia que o Maciço do Itatiaia, conhecido por abrigar o Pico das Agulhas Negras e ser um dos atrativos turísticos mais conhecidos de Resende e região, já foi um vulcão? E que ainda em plena era pré-histórica, há cerca de 70 milhões de anos, esse vulcão teria entrado em erupção pela primeira vez. É o que diz o geógrafo Henrique Menandro (na foto).

Natural da região da Capelinha, em Resende, ele é graduado em geografia pela Universidade Federal Fluminense (UFF), além de ser especialista em Educação Ambiental e mestrando em Ciências do Meio Ambiente. “Foi um vulcão sim, e dos grandes! O que hoje é o Maciço de Itatiaia é um remanescente de um colossal vulcão, cuja chaminé teria mais de 5 mil metros de altura. Segundo os geólogos, a primeira erupção desse vulcão teria acontecido há cerca de 70 milhões de anos”, confirma Menandro.

Ele destaca mais um fato curioso sobre as pedras gigantes existentes na Parte Alta do Parque Nacional do Itatiaia, e que poucos conhecem. “Aquelas imensas rochas arredondadas e dispersas pela área do Parque Nacional de Itatiaia, conhecidas como matacões, são resquícios de uma avalanche ocorrida há aproximadamente 40 milhões de anos. Muita gente visita o parque e observa aquelas ‘pedras’ redondas e não faz ideia de quanta história elas têm!”

O geógrafo, quando questionado sobre a duração do período em que o vulcão ficou ativo, diz ser difícil precisar o tempo, mas cita que “o seu imenso bolsão de magma foi resfriando e endurecendo lentamente”.

– Com o passar do tempo e com a ação da água e do vento, as rochas mais “moles” de cima foram sendo intemperizadas (desgastadas) e erodidas, deixando exposto o magma resfriado e endurecido, que é exatamente o que nós observamos atualmente: o Maciço do Itatiaia.

Pedras de maciço são resultantes de uma avalanche ocasionada por erupção vulcânica

O maciço formado pelo material remanescente do vulcão – de acordo com Menandro – é composto principalmente por gnaisses e sienitos, que são rochas metamórficas de origem magmática. Ou seja, são rochas formadas e transformadas a partir do resfriamento do magma abaixo da superfície. Outras unidades geológicas compõem a paisagem local, como os quartzo-sienitos e os granitos alcalinos, além de sedimentos aluvionares e coluvionares.

Com o passar dos anos, a região do Maciço do Itatiaia, que pertence a Serra da Mantiqueira, era originalmente ocupada pelos índios Puris (que compõem a etnia Tupi-Guarani), desde a região de Queluz, no Vale do Paraíba Paulista, até Barra Mansa. “Foram eles que nomearam vários lugares aqui da região. Mantiqueira, por exemplo, significa ‘lugar onde nascem as águas’ ou ‘serra que chora’ na língua indígena. O nome vem da grande quantidade de nascentes e cursos d’água, responsáveis pela formação de inúmeras bacias hidrográficas da Região Sudeste. Já Itatiaia significa ‘lugar de pedras pontudas’ ou ‘penhasco de muitas pontas'”, explica Menandro.

O geógrafo descreve como era a relação dos Puris com a região antes da ocupação das terras pelos colonizadores. “De uma maneira geral, a relação de povos indígenas com a natureza é marcada pela sacralidade. Ou seja, os elementos naturais são sagrados e, portanto, dignos de veneração. Com os Puris não era diferente: havia um respeito e um conhecimento muito grande sobre a dinâmica ecológica local. Com relação ao maciço, acredita-se que os Puris subiam o Itatiaia esporadicamente, em função do relevo íngreme e acidentado, mas certamente eles se valiam dos recursos que o maciço fornece, como a água que escorre por suas vertentes”.

Ele ainda relata que essa relação com a natureza mudou com a chegada nos séculos XVII e XVIII do chamado “homem branco”, que marcou presença na região em função do ouro extraído das Minas Gerais. “Nossa região era ‘caminho’ e várias cidades surgiram a partir de paradas de descanso, acampamentos e entrepostos comerciais. Nessa época, os índios foram conquistados, mortos (por combate ou doenças trazidas pelos brancos) e, muitas vezes, expulsos de suas terras”, completa.

Maciço do Itatiaia visto de Resende e região

ENSINO DA GEODIVERSIDADE NO PEPS
No início de sua carreira como geógrafo, Menandro trabalhou por muitos anos no Rio de Janeiro, na área de consultoria ambiental. Há cinco anos, retornou a Resende, onde é professor de Geografia e Educação Ambiental nas redes municipal e particular de ensino. Atualmente, está preparando outro trabalho.

– Em todos os meus trabalhos de conclusão de curso (TCC) da faculdade, da pós-graduação e do mestrado, eu abordei elementos do maciço e das nossas montanhas. Nossa região tem um potencial imenso para pesquisa científica! No momento, estou escrevendo um artigo científico no qual pesquiso sobre o ensino da geodiversidade na área do Parque Estadual da Pedra Selada (Peps), unidade de conservação vizinha ao Parque Nacional de Itatiaia.

Paralelamente aos estudos que vem realizando sobre a área, que ganhará em breve um espaço de preservação da memória dos índios Puris, ele fala da contribuição que procura fazer como professor na preservação ambiental dessa região. “É justamente nessa área, de ensino, que concentro meus esforços atuais em prol da conservação dos nossos recursos naturais. Eu acredito que é por meio da educação que conseguiremos reverter esse cenário de degradação e desrespeito ao meio ambiente. Esse é o meu papel como educador: contribuir para a formação de cidadãos críticos e com consciência ambiental”, completa.

Fotos: Divulgação

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