Aniversário de uma tragédia mundial em meio a uma tragédia nacional

Na quinta-feira passada, no ‘Ao Vivo’ do Comitê pela Transparência no YouTube, a jornalista Ana Lúcia Correa (Jornal Beira-Rio-Resende-RJ) disse que sente o tranco e que até chora com o número diário de mortos pela Covid-19 no país. Acredito que o mesmo aconteça com muita gente sensível Brasil afora. Mas também acredito, que a repetição do noticiário sobre o crescente e assustador número de mortes, somada a declarações do tipo: “Todo dia morre muita gente, isso faz parte da vida”, ditas pelo inominável presidente da República, contribuam para a naturalização da tragédia humanitária que estamos vivendo. Para a sua banalização.

Não podemos, de modo algum, achar normal que mais de mil famílias por dia tenham que chorar seus mortos. E sem poder dar um último adeus aos entes queridos. Famílias ficando ao desamparo. Quantos amigos, colegas de trabalho, vizinhos são espiritualmente dilacerados pelas definitivas perdas cotidianas? Não são frios números de uma estatística como parece crer o supremo mandatário ou o acéfalo Ministério da Saúde que não usou até agora 30% dos recursos destinados no combate à doença.

Nesta quinta-feira dia 6 de agosto, faz 75 anos que a bomba atômica atirada por um avião norte-americano sobre a cidade japonesa de Hiroshima provocou a morte imediata de aproximadamente 80 mil pessoas. Com a justificativa de obrigar o Japão se render, o então presidente Harry Truman, como se fosse assim, um Trump, autorizou o ataque à cidade que nem estava envolvida com ações de guerra. As perdas foram majoritariamente civis. Crianças, mulheres e idosos. Três dias depois Nagasaki também seria arrasada. Mais 40 mil mortes. Um total de 120 mil mortes imediatas, sem contar as que aconteceriam com o passar dos dias. E o tal presidente se referiu ao ato como “o maior feito da História”.

Foram dois ataques, plenamente desnecessários. Quem diz isso, não é nenhum comunista e sim o comandante supremo das forças aliadas na Europa durante a guerra, o também norte-americano, Dwight Eisenhower. Segundo ele, o Japão já estava derrotado. Por essas e outras, na visão de estudiosos do assunto, Truman deve estar inscrito na galeria dos genocidas mais conhecidos da história mundial como Gêngis Khan, Hitler entre outros.

É possível que nesta quinta-feira, o número de mortos pela Covid-19 em nosso país já esteja muito próximo do número de vítimas das duas cidades japonesas juntas. Aqui, o bombardeio foi o desprezo daquele que deveria unir o país com ações para defender sua gente na Pandemia. Ao contrário, ele decidiu sabotar as iniciativas de isolamento, perseguir inimigos políticos, negar a ciência e os bons exemplos do mundo, não ajudar pequenos e microempresários a se manterem e não desempregarem trabalhadores, usar menos de 30% dos recursos destinados ao combate à doença e ainda se referir à tragédia com indiferença e, algumas vezes, com escárnio. Lembram-se do: “E daí” ou “Sou Messias, mas não faço milagres”. Acredito que o inominável capitão, logo-logo também será incorporado ao roll dos líderes de lesa-humanidade. Estará ao lado do Führer, ao que parece, um de seus ídolos.

Para abrandar o peso do momento horrível que nosso mundo está passando, um alívio reflexivo com aquele negro velho da Louisiana (USA).

Foto: Jarbas Oliveira/Reprodução/AFP

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