Aman tem até a próxima semana para esclarecer dados sobre Covid-19 em academia

A divergência de dados divulgados na imprensa, relacionada aos casos do novo coronavírus na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), rendeu a instituição um “puxão de orelha” por parte do Ministério Público Federal. Um ofício foi expedido nesta segunda-feira, dia 27, pela procuradora do MPF em Resende, Izabella Marinho Brant, para os comandos da Aman e do Exército Brasileiro. O ministério informou que “tem um procedimento de acompanhamento das medidas de controle ao Covid na Aman” e que esse acompanhamento é realizado desde o mês de abril.

Com base nas reportagens do portal de notícias G1 e da Revista Fórum, o ofício de três páginas da procuradora solicita tanto a Aman quanto ao Exército que sejam prestadas informações complementares e relativas às medidas adotadas no âmbito da Aman, entre elas o número de testes realizados, especificando o tipo de teste utilizado (testes rápidos e testes RT-PCR); especificando o número de testes positivos e especificando o tipo de teste utilizado para o diagnóstico; os procedimentos e protocolos adotados pela Aman a partir do resultado positivo ao teste, em relação ao indivíduo testado; e as providências adotadas no âmbito da Aman e do Exército Brasileiro, visando assegurar a transparência das informações relacionadas à Covid-19, dentre outras.

O documento também foi endereçado a Prefeitura de Resende, município onde se localiza a Aman. A procuradora solicita ao prefeito Diogo Balieiro e ao secretário de Saúde), Alexandre Vieira, que apresentem manifestação acerca das divergências apontadas nas matérias jornalísticas no que se refere aos números de casos da doença na academia, além de informar eventuais providências adotadas pelo município de Resende diante de tais notícias, além de prestar informações complementares, como o protocolo e/ou o procedimento que deve ou deveria ser adotado pela referida instituição militar, junto aos órgãos de saúde no município, no que se refere aos casos de Covid-19 confirmados por testes; qual procedimento vem sendo efetivamente adotado pela Aman para a transferência de informações ao Município de Resende, relativas ao Covid-19 e aos casos de síndromes gripais e qual o órgão e quais os servidores públicos (indicar o nome) do Exército e/ou do Ministério da Defesa vêm transmitindo informações e comunicando as notificações de Covid-19 para Resende, entre outras.

Além disso, ela ainda solicita ao município o envio da planilha atualizada de casos da doença em Resende, datada do último dia 24, e também a planilha atualizada que indica o número de casos por bairro do muncípio. Com as respostas a procuradora vai avaliar se vai instaurar ou não um Inquérito Civil contara a academia. Tanto os comandos militares quanto a prefeitura possuem um prazo de no máximo cinco dias, a contar da data de divulgação, para o envio das informações ao MPF solicitadas por Brant.

SEM DADOS DESDE JUNHO
No último dia 26, o jornal BEIRA-RIO publicou uma reportagem que mostra outra situação preocupante ocorrida dentro da Aman. Funcionários de empresas terceirizadas contratadas pela academia foram demitidos após denunciarem que as mesmas não estariam cumprindo com a obrigatoriedade de fornecer os equipamentos de proteção individual aos seus trabalhadores. Na ocasião, a Aman esclareceu quais procedimentos vem tomando para o combate a Covid-19, incluindo a fiscalização realizada sobre as terceirizadas.

A reportagem também questionou a Seção de Comunicação Social da Aman sobre os dados fornecidos aos veículos de imprensa, uma vez que segundo uma das reportagens citada pelo MPF, desde 20 de junho não há registro de casos da doença ou mortes no interior da academia. A instituição informou que esses dados são de responsabilidade do Centro de Comunicação Social do Exército (CCOMSEx), em Brasília, mas até o fechamento desta edição o órgão não retornou a mensagem enviada pelo jornal no último domingo.

O jornal entrou em contato mais uma vez com a Seção de Comunicação Social da Aman, que confirmou o recebimento do ofício do MPF. Mas a academia ainda não se pronunciou sobre quais procedimentos serão tomados para solucionar as divergências de dados veiculados na imprensa.

Foto: Arquivo

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