Seja em Resende, no Rio ou no Brasil, a educação vai parar nesta quarta-feira!

Nesta quarta-feira, dia 15, professores, estudantes e sindicatos estão programando em todo o país o Dia Nacional da Defesa da Educação, um dia inteiro de protestos contra os cortes orçamentários na educação básica e superior propostos pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Um dos principais alvos das medidas, os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFs) espalhados por todo o Brasil estão ameaçados pelo sucateamento.

A situação preocupa a direção do núcleo do IFRJ em Resende, que de acordo com informações da página do movimento IFRJ Resende Resiste nas redes sociais, decidiu no último dia 8, em assembleia promovida pela comunidade do instituto, decidiu aderir à luta contra o corte de gastos na educação e defender a existência dos Institutos Federais.

– Em primeiro lugar quero deixar claro que nossa gestão do IFRJ de Resende é apartidária, nossa bandeira é a educação. Não temos interesse em atacarmos partidos políticos, até porque nosso objetivo é profissionalizar pessoas para atuar em várias frentes sociais independente de partidos, credo, etnia e gênero. Nosso foco é educação básica, tecnológica, profissional e atenção cidadã aos alunos voltada a pessoas – explica a diretora geral do IFRJ Resende, Silvia Trajano.

Ela compara os possíveis prejuízos que um corte orçamentário poderia trazer ao sistema educacional aos rendimentos insuficientes de uma família para sobreviver. “Os cortes na educação prejudicam drasticamente a continuidade de nossos serviços porque mexem na manutenção básica das contas. Não é possível manter uma casa funcionando sem orçamento suficiente para pagamento de luz, água, gás, impostos, alimentação e vestimenta para os filhos. Certo? E se você tem um número de filhos que precisam de alimentação diária, água, roupas, iluminação para transitar dentro de casa e estudar, material de limpeza e os serviços de limpeza, assim como a própria segurança, sua casa fica vulnerável e em pouco tempo seu baixo orçamento o levará ao sucateamento. Não é contingenciamento orçamentário se o que você recebe é menos do que você gasta e não tem como continuar comendo, bebendo, vestindo, seguro e limpo com esses valores. Dentro de pouco tempo o que acontece é que vai passar fome, frio, vulnerável e ao relento. O que quero dizer que é corte sim e infelizmente é muito triste entender que a educação tem esse valor para o Brasil patriota de nossos dias”, lamenta a diretora.

De acordo com Trajano, a intenção do movimento “IFRJ Resende Resiste” é realizar um movimento de apelo, um repensar da importância da educação e dos Institutos Federais. “Não é balbúrdia e nem criar conflitos políticos. Queremos apenas manter nossas ações educacionais com apoio”, completa.

A programação do IFRJ para a quarta-feira começa às 9h, com a confecção de cartazes e faixas no hall do Campus. Às 11h40, acontece a saída do Campus, pela ciclofaixa, em direção ao Calçadão, onde a partir das 12h às 13h30 haverá uma Aula Pública com os temas “O que é o IFRJ? O que é o IFRJ para mim?” e “Cortes na Educação. O direito a educação no Brasil sempre foi para todos?”. Em seguida, o grupo de alunos e professores se dirigem para o sinal em frente ao Mercado Popular, no Centro, onde realizam protestos através de cartazes e faixas. O encerramento será às 18h15, com uma roda de conversa com a comunidade. O tema, que antecipa outro movimento previsto para junho contra a reforma de previdência, é “Recursos para Educação e Reforma da Previdência: como isso afeta a sua vida?”.

Em sua programação, durante a aula pública, o IFRJ contará com a presença de representantes do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação de Resende (Sepe Resende), que também aderiu a paralisação de 24 horas da educação. No município, o Sepe promoverá a partir das 10h30 um ato público no Calçadão, que também contará com o apoio da Associação dos Professores Municipais de Resende (APMR). Inclusive, o sindicato estadual tem pedido a adesão dos pais, para que não levem seus filhos a escola no dia da paralisação.

O Sepe também divulgou sua programação pelos outros municípios da região. Em Volta Redonda, acontece às 10h um ato público na praça em frente à prefeitura, no Aterrado; no mesmo horário terá uma aula pública em Barra do Piraí, na Praça Nilo Peçanha; às 11h, em Itatiaia, tem concentração em frente a Câmara. E pra encerrar, às 12h, em Barra Mansa, acontece outro ato público no pátio da prefeitura.

APOIO DE OUTRAS CLASSES DE TRABALHADORES
Em todo o estado do Rio, entidades que lutam pelos direitos de professores e profissionais da educação em geral também promoverão protestos ao longo do dia. O Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe) divulgou, em seu boletim do último dia 10, que em todo o estado já aderiram a Greve Nacional da Educação, além dos municípios da região, as escolas públicas estaduais e municipais do Rio de Janeiro, e as redes municipais de Angra dos Reis, Araruama, Belford Roxo, Cabo Frio, Campos dos Goytacazes, Duque de Caxias, Itaboraí, Itaguaí, Macaé, Mangaratiba, Maricá, Mendes, Nilópolis, Niterói, Nova Friburgo, Nova Iguaçu, Pinheiral, Porto Real, Quatis, Queimados, Rio das Ostras, São Gonçalo, São João de Meriti, Saquarema, Seropédica, Tanguá, Teresópolis e Valença.

O setor privado é representado através do Sinpro-Rio (Educação Básica e Superior). Da rede federal de ensino aderiram Adcefet, Aduff, Adufrj, Adunirio, Adur, Ifrj/Pinheiral; e da rede estadual: Asduerj e Sindpefaetec. E em solidariedade à educação também aderiram os petroleiros, através do Sindpetro de Duque de Caxias e do Norte Fluminense, os metalúrgicos e os profissionais da saúde. Um ato unificado está previsto para acontecer também nesta quarta-feira na capital fluminense, a partir das 17 horas, na Candelária, de onde haverá uma marcha até a Central do Brasil.

MAIS DE 70 UNIVERSIDADES VÃO PARAR
A mobilização marcada para o dia 15 unirá sindicatos trabalhistas e outras entidades em todo o Brasil, em protesto ao corte orçamentário de 30% da educação básica e superior anunciado no começo do mês pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, e também contra a reforma da Previdência. Na ocasião, em audiência na Comissão de Educação do Senado, o ministro alegou que “não faria um corte, e sim um contingenciamento”, afirmando que dependeria da aprovação da reforma da previdência e da economia no país apresentar melhoras no segundo semestre.

A medida vem desagradando toda a classe trabalhadora da educação, já que o anúncio do corte adicional de 30% inicialmente seria em universidades que, segundo o ministro, promoviam “balbúrdia”, e isso é visto como represália político-ideológica às instituições. Posteriormente, o ministério decidiu por estender o arrocho a todas as federais.

Além de protestar contra o corte de verba na educação, a greve nacional da educação também é considerada uma espécie de esquenta para a participação do segmento na greve geral contra a Reforma da Previdência. De acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE), até agora já são mais de 70 universidades de todas as unidades da federação que confirmaram a adesão à greve e aos atos que ocorrerão em todas as capitais. A relação dessas universidades, além da programação dos atos em todo o país podem ser conferidos clicando aqui.

Foto: Érica Aragão/CUT

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