Painel e acessibilidade: população fala sobre reforma da Matriz da Barra Mansa em audiência

Lígia (à esquerda) destacou a acessibilidade durante a audiência

A noite desta quarta-feira, dia 19, ficou marcada pela primeira audiência pública realizada no plenário da Câmara de Barra Mansa, sobre a reforma iniciada na Igreja Matriz de São Sebastião, no município.

Com duração de aproximadamente duas horas, o encontro entre a população (formada por fiéis ligados à igreja em sua maioria), membros da Igreja Católica regional e da comissão formada pelo Conselho de Cultura de Barra Mansa, responsável pelo evento, serviu para reunir as opiniões de todos os interessados em encontrar uma solução para o impasse entre religiosos e fiéis.

Para isso, além de reunir a justificativa de Dom Francisco Biasin, bispo da Diocese Barra do Piraí-Volta Redonda, as explicações do artista plástico Anderson Augusto e da arquiteta responsável sobre o projeto e o significado da arte do novo painel proposto pela paróquia aos fiéis, considerado o pivô da toda a discórdia, e uma explanação rápida sobre o histórico de reformas feitas na Matriz ao longo de sua existência pelo presidente do Conselho de Cultura de Barra Mansa (e também presidente da Fundação de Cultura de Barra Mansa), Marcelo Bravo, os membros do conselho também ouviram 10 representantes da população presente ao plenário, que ficou lotado.

A maioria dos representantes questionou e/ou criticou a descaracterização da igreja e a possibilidade da colocação do novo painel, e se declararam parcial ou totalmente contrários. Foi o caso do professor Durval de Souza Teles.

– Eu sou contra a obra porque nós não podemos pegar o retrato do nosso avô e da nossa avó, rasgar e jogar fora, e depois colocar um novinho no lugar. Se eu já estivesse em Barra Mansa naquela época (da construção do painel dos anos de 1960), eu também seria contra. Senão, teriam que destruir também as igrejas de Ouro Preto, Mariana, Congonhas, Sabará, e fazer tudo moderno. Sou a favor de trocar o piso, colocar granito. Mas tiraram o mármore italiano do altar, isso é uma vergonha! Se tiverem de fazer um plebiscito, vamos fazer (…) Será que eles (os fiéis) aceitaram isso, tirar o mármore? – questionou o professor.

O motorista Anderson Nunes lembrou a colocação do novo painel. “Não somos contra a obra, mas contra a descaracterização de nossa igreja, pois daqui a algum tempo, aquele espaço onde casamos, nos batizamos ou fizemos a primeira comunhão não será o mesmo, será uma outra igreja após a conclusão da obra. E duvido que um arquiteto me convencerá de que haverá uma visão ampla para aquele painel (o antigo), ele ficará escondido. Há a necessidade de fazer isso, o que isso interfere na acessibilidade?

Duas pessoas que tiveram a oportunidade de falar focaram na questão da acessibilidade, uma das justificativas dadas para a realização da reforma do altar da igreja. “Eu gostaria de deixar uma pergunta: se a obra for impedida devido ao tombamento, nunca um cadeirante poderá servir no altar? Eu fiquei pensando muito nos idosos, temos muitos padres (e até ministros da igreja) nessa idade e por várias vezes a gente precisa ajudá-los a subir os degraus. A gente precisa pensar nos outros também!”, respondeu a coordenadora da liturgia da paróquia da Matriz, Lígia de Cássia.

Já outra representante da paróquia, Erika de Souza Carmo, tem uma opinião contrária à da maioria. E chegou a escrever um texto para dar sua opinião (confira o mesmo na íntegra aqui).

– Se me perguntas se sou a favor da obra? Sim sou, porque algumas pessoas (que são escolhidas dentro da igreja) das quais estive presente, ouviram, ouviram varias vezes e talvez, tenham guardado para si. Peço desculpas pelo erro delas e meu. (…) Não importa se você é a favor ou contra, mas qual a história que você vai deixar para a eternidade ser lembrada (admirei a obra da reforma por ser algo que nos dá uma visão total da fé e arte ali contida, hoje são só retalhos) – destacou Érika, em seu discurso.

Vereadora Maria Lúcia (à direita) representou a Câmara entre a população que opinou durante evento

Única representante da casa anfitriã entre os 10 opinadores da audiência, a vereadora Maria Lúcia Moura também falou durante o evento, e pretende colocar o assunto em pauta no próximo ano durante as sessões do plenário. “Penso que primeiro temos que esperar todas as respostas, quais posições a comissão e o conselho de cultura tomarão. Uma das nossas iniciativas é procurar ouvir as pessoas na porta da igreja. Não se pode fazer uma reforma sem ouvir a população, pois a igreja não é só dos católicos, mas também de toda Barra Mansa. Tem tantas igrejas que precisam de reformas, como a de Amparo (onde mora a parlamentar), e querem reformar uma em perfeito estado de conservação”, lembrou.

De acordo com o presidente do conselho, a audiência teve caráter consultivo, ou seja, serviu apenas para levantar informações que possam ajudar os membros a tomar uma decisão sobre o assunto no próximo ano, quando a reforma voltará a ser discutida. A obra segue parada.

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One thought on “Painel e acessibilidade: população fala sobre reforma da Matriz da Barra Mansa em audiência

  1. De acordo com a Comissão do conselho de cultura, hoje só a torre do sino é realmente histórica, todo já foi modificado, e hoje todos falam do painel, dos azulejos e não vi ninguém comentar do Crucifixo que é o símbolo real da igreja católica, ele não aparece depois de tantas descaracterização da Igreja em si. Triste para o cristão não ver Cristo no seu altar.

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