SBP e outras entidades repudiam fala do ministro da Saúde, Ricardo Barros

Michel Temer e o ministro da Saúde, Ricardo Barros, em evento no Palácio do Planalto.

Nesta segunda-feira, dia 17, pediatras se mobilizaram em revolta ao comentário realizado pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, durante evento que ocorreu nesta quinta, dia 13, no Palácio do Planalto, com o discurso sobre a colocação de biometria para controle da frequência dos servidores, cuja implementação, segundo ele, será feita nas nas unidades de saúde de todo país, além de inovações como prontuário eletrônico.

“A biometria vai servir para que todos cumpram seus horários de trabalho. Vamos parar de fingir que pagamos médicos e os médicos vão parar de fingir que trabalham”, disse Barros ao presidente interino, Michel Temer, durante o evento em que anunciou investimentos de R$ 1,7 bilhão para qualificar e ampliar o atendimento à população.

Em tom de protesto contra a insinuação, “fingem trabalhar”, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou uma Carta Aberta, onde contesta a afirmação e cobra do principal gestor federal da rede pública providências para os inúmeros problemas na área.

A presidente da SBP, Luciana Rodrigues da Silva, em sua avaliação argumenta que, historicamente, os especialistas que cuidam da infância e adolescência vem apoiando as distintas esferas governamentais na implementação de programas e projetos que contribuam para a melhoria dos indicadores epidemiológicos.

Luciana Rodrigues da Silva, presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)

De acordo com Luciana, diante o caso, é compreensível a revolta, que inclusive se mostra inconformada com a situação: “Já basta de provocações. Nós exigimos o devido valor e respeito pelo compromisso permanente com a saúde que disponibilizamos, o qual não se pauta por interesses outros que não a vida e o bem-estar de milhões de brasileiros”.

O documento da SBP destaca a menção feita por Ricardo Barros, que, segundo tal, não reflete a realidade da assistência no país, repudiando o que as lideranças da SBP consideram ser uma estratégia para “lançar sobre os ombros dos médicos toda a responsabilidade pelas falhas da gestão do SUS, nas esferas Federal, Estadual e Municipal”.

Ainda, a SBP apresenta como contraprova dados do próprio Governo que ressaltam a alta produtividade da categoria no atendimento de crianças e de adolescentes. Segundo dados do Ministério da Saúde, somente em 2016 mais de 43 milhões de consultas para essa população foram realizadas. Isso corresponde a uma estimativa de 1,8 mil atendimentos feitos por médico pediatra que atende no Sistema Único de Saúde (SUS).

Também foram realizadas várias críticas diretas à gestão que, no entendimento da SBP, os médicos não podem ser culpabilizados pela falta de infraestrutura nos postos de saúde e nos hospitais; pelo desabastecimento de insumos e medicamentos; pela dificuldade de acesso a exames, de forma particular aos de média e alta complexidade; e pelo déficit de 10 mil leitos de internação pediátrica, fechados entre os anos de 2010 a 2016.

Em nota, a entidade termina dizendo que o SUS está “doente” e que se anseia por sua recuperação, repudiando tal ato de transformar a agonia de inúmeros profissionais em condições precárias de serviço seja pauta de interesse político. Mesmo indignados, pediatras e demais médicos da área continuaram a desempenharem suas respectivas funções em detrimento da necessidade dos pacientes.

Imagem do 1º Conselho Deliberativo da Federação Médica Brasileira (FMB).

Outras entidades médicas também já se manifestaram as palavras ditas por Barros no discurso. A Federação Médica Brasileira (FMB) sugeriu que o ministro “volte para a engenharia” e ainda citou que “este governo é afundado em denúncias de corrupção”. O Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Médica Brasileira (AMB) também rebateram os comentários,argumentando que são “completamente inadequados” e “pejorativos”.

Sobre Barros

Não é de hoje que o então ministro da Saúde, Ricardo Barros, se envolve em polêmica por conta de dizeres preconceituosos e sem muito fundamento. Desde que assumiu a pasta, em maio do ano passado, vem a se envolver nesta e outras questões. Poucos dias após assumir o cargo, ele disse que, devido ao grande número de procedimentos realizados de forma inadequada, levando a muitas mortes, o aborto é uma questão de saúde pública, desejando assim envolver representantes religiosos na discussão sobre o tema no Brasil.

Tempos depois, disse que os homens procuram menos o atendimento de saúde por conta de que “trabalham mais do que as mulheres e são os provedores das casas brasileiras”. Disse ainda que é da “cultura do brasileiro” só achar que foi bem atendido quando passa por exames ou recebe prescrição de medicamentos, e esse suposto “hábito” estaria levando a gastos enormes desnecessários no SUS.

Fonte: Assessoria de Comunicação (SBP)/Rede Brasil Atual/ O Globo

Foto: Portal Brasil/Agência Brasil – EBC/Desenvolvimento Infantil/CCR Gestão de Comunicação/Gazeta do Povo

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