Trabalho infantil, sim. Trabalho escravo, não

Trabalho infantil, sim. Trabalho escravo, não. Há uma enorme diferença entre o trabalho que dignifica e a escravidão que ele nos impõe. E se nos reportarmos ao trabalho infantil a que nossas crianças são impostas, veremos que a escravidão é maior e muito mais prejudicial.

Toda criança deve trabalhar dentro das suas possibilidades, mas nenhuma deve ter uma carga horária de adulto, ter seu desenvolvimento prejudicado por isso e/ou assumir trabalhos que não condizem com suas possibilidades.

Eu sempre trabalhei, desde muito cedo, e aprendi a dar valor e gostar de trabalhar. Meu primeiro emprego foi “esquentar cama”. Os adultos viam nesse tipo de ocupação uma excelente oportunidade para o sossego tão almejado. É bem verdade que muitas das vezes eu pegava sono em pleno horário de trabalho, mas nunca fui descontada por isso e nem perdi o emprego. Trabalhei ajudando a lavar carro, varrendo quintal, calçada, sendo baby siter, dentre outros. Pequenos feitos que me ocupavam e que me rendiam o dinheiro para algumas pequenas coisas e o ensinamento de poupar os rendimentos. Nada que fosse perigoso, que fosse um atentado à saúde ou que me roubasse o divertimento da vida. Eu tive tempo de ser criança e aprendi a trabalhar e dar valor ao dinheiro conquistado por ele.

O trabalho deve, sim, ser remunerado para que ela saiba o valor do dinheiro e como lidar com os frutos proveniente de seus esforços. Pequenos feitos são muito bem-vindos e devem ser vistos como trabalho valorizado.

Entretanto, os problemas que o entendimento sobre esse tema provoca são extensos e muito difíceis de serem discutidos. Afinal, no nosso país muitas crianças abandonam a escola, são tratadas como escravas e sofrem demais. Tão difícil encontrar um equilíbrio sobre essa questão que chega a ser melhor proibir para que problemas maiores não aconteçam.

Se mal-entendido, o trabalho passa então a ser visto como um castigo que será imposto caso não queira estudar, caso reprove na escola ou alguma coisa parecida.

Dar responsabilidades desde cedo e remunerar por isso é trabalho, mas deve estar longe, mas muito longe de ocupar todo o tempo e de ser entrave para a escola e uma vivência feliz da infância. Apenas um meio de exercitar e ensinar a responsabilidade, o valor do trabalho e os frutos que dele poderá vir.

Ângela Alhanati
contato@angelaalhanati.com.br
Livre pensadora exercendo seu direito à reflexão

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