Câmara faz apuração fechada sobre problemas em obra de nova sede

A Câmara Municipal de Resende está apurando as responsabilidades sobre os problemas apresentados na obra de sua nova sede, que já custou quase R$ 9 milhões e até hoje não pôde ser inaugurada. Nesta sexta-feira, dia 8, o arquiteto Renato Serra, responsável pelo projeto inicial da obra, foi interpelado por uma comissão de funcionários da Casa. No entanto, diferente da transparência anunciada pela nova direção da Câmara, a reunião foi realizada a portas fechadas e a entrada da imprensa barrada no encontro.

A existência de uma apuração sobre os problemas da obra foi revelada em fevereiro, durante uma sessão ordinária da Câmara. Na ocasião, o vereador Roque Cerqueira (PDT) relatou ter ido se abrigar da chuva na construção e encontrou problemas graves, inclusive de a água escorrer para dentro do plenário. Ele chegou a classificar a obra como porcaria e a presidente da Câmara em exercício, vereadora Soraia Balieiro (PSB), revelou que havia feito um relatório para apurar alguns dos problemas, mas que sua confecção estava sendo prejudicada porque os documentos referentes à obra haviam sido apreendidos pelo Ministério Público Estadual (MPE). A presidente disse que divulgaria o resultado dos trabalhos em plenário, o que ainda não aconteceu.

No encontro do dia 8, o arquiteto Renato Serra explicou que foi questionado sobre os projetos complementares à obra, que não foram de sua autoria.

– Eles quiseram esclarecimentos em relação à obra e pediram explicações a respeito dela, contratações. Eles não tinham conhecimento sobre ela, inclusive técnicos. Uma das primeiras questões levantadas sobre o prédio é que não tem Habite-se. O projeto dos bombeiros não foi feito com as regras de adequação e eles querem apurar essa responsabilidade. Eles estão apurando responsabilidades e queriam saber até onde ia a minha – explicou Serra.

Ele comentou que a comissão que o interpelou pretende concluir a obra o quanto antes para que possa se mudar para a nova sede.

– Percebi uma vontade de resolver o problema, humildade, pedido de ajuda. Aquilo é um bem público, a gente tem que resolver. Hoje o drama é que estão sustentando três sedes administrativas, porque mesmo parada a nova sede gera custos, além do plenário e do anexo – avaliou.

Em seus esclarecimentos sobre a ausência dos projetos complementares, o arquiteto disse que foi contratado apenas para fazer a concepção da obra, mas que os outros projetos complementares deveria ter sido realizados em seguida, antes do início da construção, o que acredita que não aconteceu.

– Fiz a concepção e o projeto legal, mas ainda tem vários projetos da obra, o de instalação elétrica, estrutura, drenagem, bombeiro, acessibilidade e todos estavam no escopo da licitação na primeira fase. O projeto dos bombeiros inclusive é o mais problemático, só empresas especializadas fazem. Nós arquitetos fazemos o que acreditamos apenas e depois a viabilidade desse projeto precisa ser discutida com quem faz os outros projetos, com os bombeiros, o que dá para fazer, e isso nunca aconteceu, nunca fui chamado. O natural é que se chame o autor do projeto para isso, mas não necessariamente precisa ser o autor, mas tem que ter alguém que faça. Houve um acordo de cavalheiros que eu faria isso, mas não foi cumprido, não fui chamado, mesmo sabendo que havia recursos para isso. Uma das paredes estava imassada e pintada e estavam cortando-a para passar rede do sistema de dados, então acredito que o projeto deste sistema não havia sido feito antes da obra ou em tempo hábil, o do bombeiro parece que nem foi feito – enumerou Renato Serra.

Devido a ausência destes projetos no tempo previsto, a obra deve passar por alterações, ou seja, precisará que sejam gastos mais recursos para que ela seja aprovada.

– É provável que seja feita adequação na obra para poder liberar. Com o prédio pronto é mais custoso do que enquanto você trabalha no papel e no computador. O que para mim foi mais grave e ofende a arquitetura foi o átrio da entrada principal, que era para ser uma escada aberta para quem passasse subir e eles fecharam. Mas faltam rampas também, que deveria estar no projeto de acessibilidade. O Kiko (Kiko Besouchet, do PP, presidente da Câmara na ocasião) declarou que haveria certificação Green Building e não houve, mas isso não posso afirmar se estava na planilha e foi pago ou se foi retirado – acrescentou o arquiteto.

Após ter vetado a entrada da imprensa com a justificativa de que a reunião era fechada, a Câmara informou que encaminharia uma nota com os assuntos discutidos na reunião, o que também não aconteceu. Para Serra, isso pode ter acontecido devido à tensão que envolve a Casa e não uma tentativa de esconder informações.

– Tá todo mundo muito tenso, o início da reunião foi tenso, mas durante as duas horas de reunião as coisas foram se esclarecendo. Fomos quebrando a resistência, a barreira, acho que numa próxima não haverá problemas. Todos estão sendo pressionados por resultados nestas apurações, então prefiro acreditar na boa fé das pessoas que estavam lá. Eles me explicaram que não vão atrás de ninguém, apenas querem entender a situação. Me parece que vão contratar uma perícia e os membros da comissão, o procurador João Paulo Perez dos Anjos, o pregoeiro Fanuel Fernando de Paula Faria e o secretário geral Paulo Augusto Pereira estavam junto com um engenheiro. Saí de lá aliviado, dessa vez senti uma predisposição para que as coisas fluam – concluiu Renato Serra.

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