19082017

A pior face daquela pessoa que amamos

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A semana foi marcada pelo vazamento do áudio que revelou a condição de usuária de drogas da cantora gospel Daniela Araújo. Três dias antes desse vazamento feito pelo ex-namorado, a cantora contou como Deus estaria transformando sua vida em post no Twitter.

Pensando sobre esse episódio, algumas reflexões me chegam:

Em primeiro lugar, é preciso, sendo figura pública ou não, uma honestidade com declarações. Em tempos de redes sociais, tudo fica gravado e viraliza com uma rapidez impressionante.

Em segundo lugar, um dia o namorado pode se transformar em ex e é nesse momento, no momento da separação, que conhecemos de fato com quem nos unimos. No calor do rompimento é que vamos conhecer a sordidez, a mesquinharia, a pior face daquela pessoa que um dia julgamos amar e nos amar também. Fica aqui um alerta para a era dos nudes que, para quem não sabe, são fotos nuas que circulam em aplicativos de mensagens. Jogar qualquer informação na internet é como jogar papel ao vento: nunca mais se toma de volta o que foi esparramado. Preservação é tão difícil quanto qualquer outra coisa urgente em tempos líquidos.

Em terceiro lugar, a colisão de direitos. Se uma informação é para circular e sendo a Daniela Araújo uma figura pública, portanto, acostumada a lidar com sua imagem e sua vida sendo exposta, a privacidade da moça violada nesse momento de profunda dor tanto dela quanto de seus familiares é terrível. Até que ponto as informações devem vir à público e até que ponto devem ser resguardadas.

Por último, e não menos importante, a falsa ideia de que a arte, o esporte, a música, a religião, a proximidade com Deus e a educação salvam das drogas. Se isso fosse verdade, tantas pessoas desse meio não teriam se envolvido. É preciso conhecer o que leva uma pessoa a ser adicto e o que podemos fazer para ajudar em um momento tão difícil quanto delicado em que todos sofrem: a pessoa, a família, os amigos, a sociedade. É urgente e necessário conhecer antes de julgar.

Aliás, quem somos nós para julgar?

Ângela Alhanati
contato@angelaalhanati.com.br
Livre pensadora exercendo seu direito à reflexão

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