19082017

O que realmente precisamos para resolver os problemas de transporte (São Miguel) na cidade de Resende?

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O silêncio e a conivência dos vereadores de Resende com as ações histriônicas do prefeito Diogo Balieiro Diniz demonstram a falácia da palavra “representantes” do povo. Eles debocham da cara e das necessidades da população. Fazem audiências públicas para elogiar o executivo e não tomam quaisquer decisões que favoreçam de fato a população e os trabalhadores. Fingem o tempo todo. A questão mais recente foi em regime de urgência aprovar questão trabalhista que não é de competência do município. Se estivesse realmente interessados que a São Miguel não explore seus motoristas fariam cumprir o contrato que fala em prestação de serviço com comodidade para o usuário. Isso representa ter mais ônibus na rua, mais horários e portanto, menos pressão sobre os motoristas.

Não ter cobrador é uma tendência mundial, infelizmente, assim como sumiram os sapateiros, os que arrumavam guarda-chuvas, os datilógrafos, os calceteiros e tantos outros profissionais. É o ônus da tecnologia. Quando aprovaram bilhete e catraca eletrônicos estavam também aprovando o fim dos cobradores. Isso não é aqui em Resende e infelizmente o município, ao contrário do que quer fazer parecer o prefeito e os vereadores, NÃO PODE FAZER NADA. Porque questões trabalhistas são resolvidas no âmbito federal, na Justiça do Trabalho. O Sindicato da categoria tem que tentar minimizar os prejuízos e o município pode se solidarizar sim, mas jamais tentar enganar a população toda com essa história de que vai proibir a dupla função. Por quanto tempo? Até uma liminar da Justiça favorecer a empresa, como fez com LEI IGUAL do então vereador Mirim? Pois é, a nossa memória curta não deixa lembrar que Resende já teve uma lei dessa e foi considerada INCONSTITUCIONAL. Em outras palavras, são executivo e legislativo fazendo merdas, fazendo o que não lhes compete. Uma forma de enrolar o povo. Só isso! Ganham tempo e ainda saem de bonzinhos. Vão dizer amanhã: “Nós tentamos viu? Fizemos lei, mas a Justiça entendeu que a empresa pode colocar o motorista para fazer os dois serviços”. Isso chega ser cruel. Tripudiar do leigo e ainda dar esperança ao trabalhador que está ali na linha de frente todos os dias.

Me espanto ao ver as pessoas aplaudindo dizendo que isso sim é fazer alguma coisa contra a São Miguel. Não não é. Pergunte onde está o balanço financeiro da empresa. Porque nenhum governo abre essa caixa trancada, com sabe-se lá quantos cadeados? O município não tem controle sobre passagens, gratuidades e muito menos consegue fazer uma planilha para contrapor a da empresa. Os vereadores fazem cena, mas vivem pedindo ônibus de graça para levar a população aqui e ali. Que tipos de fiscalização e atitudes são essas? Pergunte porque o governo até agora apesar de fazer vídeos para dizer que está multando, não elaborou documento sobre irregularidades no serviço prestado da concessão e protocolou na Câmara e no Ministério Público? Formas de quem realmente quer que o serviço seja bem prestado? Onde estão os 10 novos ônibus anunciados no início do governo? Por que todos os dias os usuários CONTINUAM ENFRENTANDO ônibus quebrados, atrasos ou não cumprimento dos horários?

Qual a parte da conversa com a empresa não deu certo? E quais as razões? Nada disso está transparente.

Outra coisa muito importante: se o governo Balieiro Diniz quer de fato mostrar serviço, mostre os termos de aditamento de todos os itinerários e extensão dos serviços realizados pela São Miguel. Se eles não existem, regularize isso. Enfim, tem muito mais coisas que nem prefeito e/ou vereadores parecem muito interessados. E pelo jeito, vamos seguir assistindo os vídeos do prefeito, as risadas dos vereadores ou suas indignações de plenário e os aplausos dos que ganham pra isso, dos que não andam de ônibus ou daqueles que ainda acreditam que o prefeito pode acordar e de fato, quem sabe, resolver um dos maiores problemas do município. Só uma dica. Resolve primeiro, depois faz a propaganda. Deixa o povo falar nos pontos, nas ruas, nas próximas pesquisas sobre o serviço e aí sim, quando o improvável acontecer, faça o marketing institucional, porque pessoal também é inconstitucional, né?

Ana Lúcia
editora do jornal BEIRA-RIO
analucia@jornalbeirario.com.br

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