25062017

Eu tenho um canal no YouTube

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Eu tenho um canal no YouTube. Chama-se Ao sol, no quintal. Criei esse espaço para falar sobre os livros que leio e minhas percepções sobre essas leituras. Encontro pouco tempo em minha vida para conversar sobre eles e poucas pessoas que possuem a mesma afinidade em termos de literatura. Ainda é pequeno e um pouco novidade em minha vida, mas aos poucos estou me acostumando com a ideia e me disponibilizando mais para gravar os vídeos.

No início, há um ano, postava um por mês sem edição alguma. Engraçado assistir. Eu, muito pouco à vontade, me esforçava para não tropeçar na fala, para desenvolver a ideia de uma forma leve e natural, seja lá o que isso signifique. Ser linear e acessível. Como não sabia editar os vídeos, tratei de pedir ajuda ao meu amigo Bruno Paulino, produtor e proprietário da Bruno Filmes. Um dia lhe enviei uma mensagem e perguntei sobre uma possível parceria. Fui recebida com braços abertos, um acolhimento como poucas pessoas me dariam e uma vontade enorme de fazer dar certo. Ele foi incrível e ainda carregou consigo o fiel escudeiro Thiago Matsumoto, agora meu amigo também. Mas logo percebi que se tratava de um enorme sacrifício para eles e não quis arriscar a amizade. Tratei de aprender a edição e trabalhar por conta própria, ao meu ritmo e sem apertar para o lado de ninguém.

Para o crescimento do canal contei com a generosidade dos amigos que fizeram a assinatura e me ajudaram a divulgar os vídeos, mas logo comecei a contar também com a chegada de outras pessoas vindas de diversos lugares do Brasil. Tenho assinantes do Norte, Nordeste, Sudoeste, Centro Oeste e Sul sem exagero. Com alguns desses assinantes estreitei os laços, troquei telefone e converso frequentemente sobre o assunto que move o canal, ou seja, livros. Também recebo, com frequência, presentes vindos de todos os lugares: marcadores de página, livros, desenhos, mimos maravilhosos que me enchem de alegria.

Meu canal vai indo devagar, mas vai indo. Ao contrário dos canais que postam vídeos sobre pets, maquiagem, jogos ou compras de supermercado e que alcançam a marca estratosférica de 500.000 mil seguidores ou mais o meu é bem mais modesto e está com quase 2000. Contudo não sou frequentada por pessoas que utilizam palavras de baixo calão nos comentários ou são agressivas. Encontro pessoas muito educadas, inteligentes que sempre contribuem com comentários pertinentes e bem edificados. Talvez essa seja a vantagem da proposta de se falar sobre livros: em um país onde não se cultiva o hábito de leitura, quem o faz é a minoria, mas um público muito mais qualificado para o debate virtual.

Ângela Alhanati
contato@angelaalhanati.com.br
Livre pensadora exercendo seu direito à reflexão

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