23042017

O espelho

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dr rodrigo1Algum tempo atrás, tive o prazer de rever uma paciente que havia sido submetida a mamoplastia de aumento (colocação de implante mamário). O resultado da cirurgia foi incrível, cicatriz com ótimo aspecto, simetria entre as mamas, enfim… Mas, para minha surpresa, ela não estava satisfeita. Sua alegação era de que queria sua mama igual à da “sua amiga”, uma outra paciente minha que havia operado meses atrás.

Casos como esse são comuns. Nossa identidade/personalidade é algo percebido em confronto com o outro. Sei quem sou quando realizo uma comparação com outra pessoa. Sei que estou acima do peso quando me comparo com pessoas mais magras do que eu. Sei que sou feio quando me comparo com uma modelo ou uma pessoa famosa…

O ideal seria lembrarmos da máxima socrática “Conhece-te a ti mesmo”. O entendimento das limitações do nosso corpo ajuda a nos compreender.

Por mais difícil que seja, a paciente deve entender que seu corpo apresenta restrições e particularidades, por exemplo: a pele com pouca elasticidade, formato de mama desfavorável, arcabouço ósseo do rosto irregular. Tudo isso influenciará no resultado final. A compreensão dessas imperfeiçoes inerentes e particulares de cada corpo é essencial para que a paciente veja com clareza até onde ela pode melhorar com uma cirurgia.

A cirurgia plástica é uma especialidade médica que busca por meio de técnicas obter o melhor de nós mesmos, apesar de todas limitações existentes em cada corpo. Obviamente todos nós queríamos a perfeição, mas são nossos defeitos que nos fazem únicos, ímpares e mais do que isso: humanos! Assim a busca de aperfeiçoamento deve ser para se conseguir o melhor de si. No processo de melhora, comparar-se com o outro tem pouquíssima valia, seria como tentar nos medir com o metro alheio.

Rodrigo Honorato (Cirurgião-Plástico)

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